quarta-feira, 27 de julho de 2016

O manual de sentimentos cinematográficos - Por Cíntia Rocha

Antes que você comece a ler, este é um post completamente pessoal. Tudo que está escrito abaixo é um pensamento próprio, planejado (mentira) e escrito (essa parte é verdade) por esta que vos fala. Então, antes que você se ofenda, se irrite, saiba que aceitarei de muito bom grado conversar sobre, afinal de contas, estamos todos num processo de aprendizado diário e constante.
Outra coisa importante de ressaltar, é que não leve tudo que está aqui tão a sério, não aceite isso como uma regra. Pense a respeito, reflita, separe o que lhe convém... E olha como eu já perdi um parágrafo de texto só me explicando de antemão. Interessante não?
Mas vamos ao que interessa, ou como eu gosto de chamar de:
O MANUAL DE SENTIMENTOS CINEMATOGRÁFICOS
ou como as pessoas te forçam à uma opinião coletiva
É interessante pensar no que faz um filme ruim. Seria o roteiro, a adaptação, os atores principais? As vezes sim, e isso os grandes críticos de cinema podem confirmar. Mas vejamos um exemplo mais atual. Esse ano, alguns filmes causaram uma certa irregularidade quanto as opiniões. Enquanto os críticos, pagos por grandes academias, blogs, sites e revistas, destrinchavam todo o ódio e pavor a tal produção, o público amava, e ir ver novamente nos cinemas, aumentando a arrecadação e deixando as bilheterias lotadas. É claro que não devemos deixar de fora a opinião dos críticos, eles são estudiosos. Mas será mesmo que temos que confiar cegamente neles? Quer dizer, olhem bem para os inúmeros textos falando em como tal filme exagera, tal filme apela para o imaginário. E não foi pra isso que o cinema foi criado? Pra mover o seu imaginário e fazer acontecer dentro daquela tela branca o que a realidade é incapaz de projetar?
Óbvio que também não podemos acreditar 100% nas pessoas. Quantas vezes alguém não te falou que tal filme era bom, mas quando você foi ver se decepcionou? É nesse ponto que eu quero chegar.
Algumas semanas atrás, o filme “Como Eu Era Antes de Você” estreou nos cinemas. Arrastou multidões pra eles. E então, o coletivo feminino, público alvo da produção, foi em massa para as redes sociais contar que o filme é maravilhoso, e em como elas choraram por causa daquilo e todo o blá blá blá que as comédias românticas supostamente provocam.
Após assistir ao filme, com uma pulga atrás da orelha, e esperando AQUELA cena maravilhosa, limpei meus óculos e fui embora, sem derramar uma singela lágrima. Talvez eu seja insensível, uma sem coração. Talvez eu só estivesse com uma expectativa muito alta. Talvez.
Mas eu gostaria de entender o porquê dessa obrigatoriedade massiva em provocar um sentimento em alguém? Por que você, mãe, tia, amiga, quer que eu chore em um filme, quer que eu sinta o seu sentimento por algo que nem é lá tudo isso? (Desculpem meninas)
Acontece o mesmo com filmes cult. “Ah mas você tem que gostar do filme do Goddard, é um clássico! “. Mas heim? Por que? Por que raios eu tenho que gostar de algo que eu ao menos entendi? Por que eu tenho que bater palmas prum filme da Disney? Eu sou obrigada a chorar com o final de Friends?
Devemos parar com isso. Forçar algo nas pessoas nunca é bom, muito menos uma opinião. Que sejamos livres para assistir a uma produção e gostar ou não. Que possamos rir do que nos convém, sem que o resto nos influenciem. Pode parecer um egoísmo barato, e até é, mas que mal há em criar suas próprias experiências e sensações? Qual o problema de ter um pensamento solitário sobre determinada coisa? Não que não devamos aceitar as opiniões alheias, longe disso. Devemos ouvir o que seu melhor amigo tem pra te indicar, mas sem deixar que isso interfira na sua capacidade de pensar sozinho.
Pense nisso no próximo filme de sucesso que você for assistir. Não se deixe dominar por sentimentos alheios projetados. Tenha em mente que você irá se entreter, e só isso que importa. E depois, só depois, converse com os outros sobre ele, e sobre o que VOCÊ achou.

Fim da transmissão.

Cíntia Rocha



p.s. Um beijo para Jout Jout que me inspirou a falar sobre isso.